Havia uma águia.
Ela não era diferente das outras águias. Tinha penas nas asas, dois olhos, asas. Era igual a todas as outras. Por isso não entendia o porquê de seu estado.
A águia conhecia vários animais. Lobos em terra firme, passáros migratórios no céu e golfinhos no mar. Ela não era sozinha. Era algo diferente.
Era solitária.
E mesmo se todos os animais do mundo estivessem ao seu lado, ela ainda seria solitária. Por que era assim que seu coração permanecia.
E quanto mais tempo passava, mais solitária ficava. Com medo de ficar assim para sempre, decidiu procurar ajuda ou alguém que lhe fizesse se sentir melhor.
Então, voou.
Atravessou mares que pareciam não ter fim, chegou no topo das montanhas mais altas, conheceu lugares que nem imaginava existirem. Ganhou sabedoria e cansaço. Porém não encontrou ninguém que soubesse a solução para seu problema ou alguém que se sentisse da mesma maneira.
E por mais solitária que fosse, a águia não se sentia mal com isso. Apenas medo.
Anos se passaram, até que desistiu de procurar. Estava exausta e não via mais sentido em continuar com sua busca.
Estava sobrevoando um imenso azul cintilante em um dia ensolarado quando sentiu o vento por todo o seu corpo, e o ouviu sussurrar. Esperou por terra, e quando ela chegou, pousou em uma enorme árvore. Assim que anoiteceu, sentiu o vento novamente.
Sentiu uma mistura de liberdade e cheiro de primavera. De água salgada e de entorpecimento.
E após sentir, enxergou.
Logo, a águia não era mais tão solitária. Sua companhia estava em todo lugar o tempo todo. Estava no sol e na lua, nas nuvens e nas estrelas, nas flores e na água.
Então, a brisa partiu para o sul, levando com si toda a solidão e o medo da águia mais solitária do mundo.