quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Someone else's life

Minha vida tinha se tornado algo da qual eu nunca tinha sonhado. Da qual eu nem imaginava. E estava tudo caminhando bem demais que nada mais parecia real. Se fosse um sonho, eu não me importaria de dormir para sempre. Mas não era. E eu não podia ficar mais acordada do que eu já estava. É aquele tipo de coisa que nunca aconteceria comigo e nunca aconteceu, mas aqui estou eu, vivendo algo inimaginável. Vivendo a vida de outra pessoa.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Amor infinito

Ele dormia serena e profundamente com os braços sobre minha cintura nua. Estávamos ambos presos a um emaranhado de lençóis egípcios. A luz renovada escapava por trás das cortinas. O sol da manhã tivera culpa por ter me acordado tão cedo em uma manhã de domingo, mas o homem ao meu lado, com o corpo enroscado no meu, remanescia no mundo dos sonhos. De certo modo, o mundo dos sonhos eu também parecia estar, tudo era bom demais para ser verdade com ele ao meu lado, me amando novamente em mais um dia.
Adormecido, ele parecia mais afortunado. Eu podia ver claramente no canto de seus pequenos lábios o início de um sorriso. Sua dor e sofrimento tinham desaparecido como pura mágica. E agora, com a luz de um novo dia em sua face posso ver que está tão vulnerável como uma rosa embaixo de uma tempestade.
Podia desejar que esse momento durasse para sempre, como em uma foto, por que seríamos ambos felizes por toda a eternidade. Ele, perdido na alegre fantasia da noite e eu, estaria contente apenas de ter a satisfação o ver finalmente feliz. Mas o “para sempre” é pronunciado com tanta freqüência nos dias de hoje que o infinito não é mais tão imenso assim.
O sol, cada vez mais enfurecido, brilhava mais forte a cada minuto. E como um presente de gregos para troianos, os raios de luz o acordaram.
Aos poucos, seus olhos se abriram, lutando contra a claridade e vacilando um pouco. Quando me viu ao seu lado, o sorriso que havia começado quando ainda dormia finalmente pode florescer em seu rosto. Com uma voz rouca, ele se aproximou a uma distância de milímetros de meu ouvido e sussurrou fazendo os pelos de minha nuca se eriçar.
- Estava sonhando com você.
Selamos nossos lábios com um beijo de bom dia, e instantaneamente senti o gosto de sua boca, meu sabor preferido. Então, sem hesitar, desejei que a eternidade nunca acordasse.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Notas da Paixão

Nossos corpos estavam juntos como um só, Nossos dedos permaneciam entrelaçados, minha cabeça em um perfeito ângulo sobre seus largos ombros. Não se ouvia o tiquetaquear de relógios ou lugar para ir. Éramos a última coisa daquele mundo solitário que ainda não havia morrido. Os únicos que ainda amavam. Estávamos deitados embaixo da sombra de uma macieira, quase meio dia. Uma leve brisa de verão brincava com nossos cabelos, os despenteando enquanto nos refrescávamos daquele calor infernal. Não dizíamos uma só palavra. Honestamente, não precisávamos. No meio do nada, a única coisa que ouvíamos era a sinfonia de nossos corações batendo harmoniosamente, acelerando o ritmo após cada selar de lábios. Se nossos corações fossem uma melodia, seriam tocados somente por violinos e pianos. Instrumentos solitários que separados, tocam notas melancólicas e depressivas, mas quanto tocados juntos se transformam em deleites aos ouvidos, na mais perfeita música de amor.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

London

Era isso. Logo eu voltaria para Brasília. Aquela cidade agora não parece mais tão minha, não passa de um borrão em lembranças esquecidas. Eu pertencia àquele lugar, soube assim que coloquei meus pés no chão após descer do avião, uma sensação esquisita finalmente achar seu lugar em um mundo tão grande. Não queria voltar para Brasília nunca mais. Minha casa agora era aqui em Londres. Minha terra prometida. E quando eu voltasse para a realidade, além de deixar minha terra, deixarei meu coração também. Com as árvores secas, com as brisas do outono, até mesmo com as tradicionais cabines vermelhas. Tenho orgulho de dizer que me apaixonei pela primeira vez na minha vida, por um amor impossível. Nunca aconteceria. E mesmo assim minhas mãos fremem só de pensar que vou embora. Mas não vou chorar, não vou deixar meu amor me ver assim. Um dia eu voltarei para ficar para sempre. Ficaremos juntos por toda eternidade. Pois até mesmo quando morrer, quero lá ser enterrada. Meu corpo se misturará com as sementes de nossa paixão embaixo da terra e finalmente nos tornaremos um só, como sempre devia ter sido.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tentação

Aquele era meu fim. Então era assim que a morte vinha. Desespero e dor não fazem parte. O ar tão frio que congela a pele, não se sabe se minha pele está fria porcausa da brisa ou se é porque o sangue está parando de circular, se é por que estou morrendo. E o véu obscuro aos poucos vai me consumindo. Cada segundo mais perto do outro lado. A garganta arde. As pálpebras pesam. Até tento lutar no início, mas o cansaço vai tomando o lugar da esperança. Está tão frio. E a exaustidão me domina. E aí você tem que fazer a maior decisão da sua vida. Resistir? Ou se entregar? Qual o sentido de tudo? Não há medo. É dificil inspirar o ar. E tão fácil desistir. Tão tentador.