sexta-feira, 31 de julho de 2009

O mais perfeito estranho

Alguma vez, você já sentiu que tudo estava desconcertado? Como em um sonho esquisito? O máximo que pode fazer é tentar acordar, entretanto, é mais real do que qualquer coisa perfeita que já vivenciou. E então você não sabe mais se quer acordar, por que por mais estranho que tudo esteja agora, você finalmente está feliz, e tem medo de perder isso se tudo for normal de novo.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Pessoas do coração

Acredito que toda pessoa tem um conjunto de outras pessoas que tem um tipo estranho de conexão – não apenas uma metade da laranja, mas várias – e eu sei bem quais são as minhas. A maioria delas vive pertinho de mim, e ocupam seu lugar dentro do meu coração. Há também algumas que por algum motivo foram separadas de mim, levando com elas um pedaço da minha alma aonde quer que estejam. As que realmente foram feitas para mim, nunca quebraram meu coração em mil pedaços, pelo menos não por que queriam. E não é preciso estar com as pessoas que foram especialmente para mim, para senti-las. Para amá-las. Para saber que elas são reais. Basta fechar meus olhos, e imaginar o rosto delas em minha mente que um pequeno sorriso se materializa em meus lábios. Aquele sorriso que você sorri por que quer, não há ninguém por perto, não há nenhum motivo de riso. Você simplesmente sorri verdadeiramente com todo seu coração. E naquele momento, você sabe que não importa quão longe as pessoas que são suas – somente suas e de mais ninguém –, elas nunca realmente estiveram longe. Você percebe que sua alma sempre continuou inteira, ela apenas se fragilizou com a dor da saudade.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Poder e coisas assim

Esmagar meu coração faz você se sentir bem? Saber que você tem o poder de sentir o sangue gelado escorrendo entre os dedos, de me torturar com cada palavra proferida, te faz sentir bem? Espero que valha a pena, espero que se acostume com a solidão do poder, espero que se afogue nas próprias lágrimas. Agora estou aqui, vendo tudo cair sobre meus pés novamente, como em um looping do sofrimento. Meu coração não agüenta, quem sabe quando ele vai falir. Quem sabe.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Jason vs Me

“Have you ever had a dream where Jason is hunting you, and your friends?” She whispered to me.
“Sure. Everyone who has seen Friday 13 must have had this nightmare at least once. It’s common.” I said as I approached her slowly.
She moved carefully, keeping the distance between us.
“I had a similar dream as this one last night.”
I didn’t understand what was wrong about that. I asked and she hesitated. She started whispering again, this time in a lower tone.
“I wasn’t the victim.”
I looked in her dark eyes and they were terrified. I don’t know how I didn’t saw earlier.
She continued.
“I was the one who was murdering everyone. There was blood everywhere.”
Her terrified eyes were now sparkling with tears. A horrible image, and at the same time one of the most beautiful things I have ever seen. I wanted to hold her in my arms, but I knew she wouldn't like it.
“It was just a dream. Nothing but a dream.”
She consent and dried the tears with the back of her hands gently.
She was almost leaving when I took her hand and said that even if she was Jason I would still love her.
I have no idea where this courage came from, and actually, I don't need to know.
She put her arms around my neck and our lips touched softly. From that moment on I started to have an extra sympathy for Jason Voorhees.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Coração de vidro

Há algo de errado comigo. Em cada centímetro meu há uma reação diferente quando penso nele. Não é como se eu pudesse, ou quisesse, parar de vê-lo em meus pensamentos – como se eu tivesse escolha.

Minhas mãos tremem ao ouvir seu nome, meus olhos embaçam involuntariamente, um nó em minha garganta cresce a cada segundo arranhando-a enquanto tento fazê-lo desaparecer. Mas o pior, a pior reação – e a mais perigosa – fica em meu coração, que pára de bombear sangue para meus pulmões, me impedindo de respirar; que dói incondicionalmente como se eu fosse me desfazer em pequenos pedaços de caco de vidro barato – em mil pedaços cortantes. Tudo isso, junto, faz com que eu implore para que saia de minha cabeça.

Cansei de ouvir que o tempo retira essas mágoas para longe, que quando vão embora nunca mais voltam. Mas eu começo a me perguntar quando? Por que o tempo está piorando minhas feridas, aumentando o nível de dor em minhas reações. O tempo nunca parou para mim, e nunca vai parar, por que a cada tique taquear do relógio sua voz parece mais distante, seu rosto fica mais parecido com o de um estranho. Não consigo mais lembrar como ele me chamava quando estava irritado, se continuava a me chamar pelo meu apelido carinhoso, ou se chamava meu nome completo.

Então, finalmente compreendo. Por mais doloroso e repugnante que seja, estou o esquecendo – deixando-o para trás, como se nunca tivesse existido, como se fosse um sonho esquecido ao acordar. E as reações - as tão dolorosas emoções - não vão cessar, estou fadada a apenas ser forte e a aprender a viver com elas. Por ele. Por que o tempo não cura, não pára, e esta o levando para longe. Minhas preciosas, e únicas lembranças. A última coisa que ficou comigo dele, além de rostos congelados em fotos é nosso eterno amor.

Desertor

- Estamos livres, finalmente tudo ficará bem. Ninguém pode nos separar, agora. – Ele repetia várias e várias vezes, em voz alta e devagar, quase soletrando, para me convencer. Mas eu tinha certeza que depois da terceira vez, ele estava tentando convencer a si mesmo. Sem progresso, é claro, por que ele parecia que ia continuar assim por muito tempo. Ajeitei-me no banco do carro, e tentei relaxar vendo a chuva bater com força contra o vidro.

O céu estava extremamente escuro, sem nenhum ponto de luz. Naquela noite não havia lua ou estrelas, estava tudo vazio.Certa ironia, diria eu se não fosse algo tão horrível. Afinal, lobisomens deviam se transformar em noites de lua cheia, e nessa noite eu havia decidido que nunca mais me transformaria naquilo.Naquele mostro repugnante que fazia minhas veias turbinarem e meus olhos se transformarem em íris amarelas como o sol.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Terra prometida

Era quase meia noite de halloween. A fuga perfeita para um casal inaceitado por uma cidade tradicional. A vida deles sempre fora á beira da fogueira. Queimados como bruxas por seus pecados. Não tinha mais o que fazer além de fugir. Era a perfeita solução.Seus pais achariam que estariam pedindo doces ou travessuras. Pobre esperança de que eles voltassem a serem puros como quando tinham nada mais do que uns cinco anos. Pobres ingênuos pais. Faltavam alguns minutos, para o toque de recolher das crianças, para o último trem passar. Para onde o trem iria? Para a terra dos sonhos, eles esperavam, era onde eles queriam estar. Um último suspiro antes de entrarem no vagão. Não olharam para trás, não deveriam olhar, doeria demais se o fizessem. Logo iriam renascer em outro lugar, renascer na terra encantada prometida onde não precisavam ser consumidos pelo fogo.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Sunset


O céu tinha uma cor cinza, sempre ameaçando chuva. Mas o metereologista havia dito no dia anterior que não choveria, até hoje eu nunca tinha o visto falhar alguma vez. Então fui para o lago da cidade. Havia um pequeno rastro do sol, deixando algumas nuvens acinzentadas com um tom alaranjado. Fui para o píer e me sentei na borda. A água estava prateada e brilhava. No lado contrário ao sol a água estava extremamente negra. Suspirei expirando o ar tão devagar como a brisa que batia no meu rosto e aproveitei meu último pôr-do-sol naquela cidade, até não haver mais nenhum sinal de luz no píer. Voltei para casa e escrevi uma carta, sem prestar atenção, apenas deixei as palavras fluírem no papel. Então, eu dobrei-a e deixei na cama, perto do travesseiro. Era um lugar estratégico, ele veria com certeza. Peguei minhas malas e saí. Ao fechar a porta, dei uma última olhada. Senti uma lágrima quente e solitária escorrer por minha face e tranquei a porta.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Como uma flor eterna

Nunca lhe dei flores, flores secam, murcham. Nem agora, em seu próprio túmulo.Nosso amor não seca, não murcha, não desaparece. Sinto sua falta, já faz tanto tempo que você se tornou mais uma estrela em minhas noites.Noites que se tornaram solitárias enquanto observo a estrela mais brilhante. Você é ela. Sempre brilhou no meu coração.Sinto que me protege de todo os males. Sinto que está comigo. Não importa aonde e quando. Em meus sonhos e ações. Sempre.Estou indo ao seu encontro. Cada dia mais perto. Mas continue iluminando meu céu, não desista de mim. Não desista de nós, jamais.