quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Notas da Paixão
Nossos corpos estavam juntos como um só, Nossos dedos permaneciam entrelaçados, minha cabeça em um perfeito ângulo sobre seus largos ombros. Não se ouvia o tiquetaquear de relógios ou lugar para ir. Éramos a última coisa daquele mundo solitário que ainda não havia morrido. Os únicos que ainda amavam. Estávamos deitados embaixo da sombra de uma macieira, quase meio dia. Uma leve brisa de verão brincava com nossos cabelos, os despenteando enquanto nos refrescávamos daquele calor infernal. Não dizíamos uma só palavra. Honestamente, não precisávamos. No meio do nada, a única coisa que ouvíamos era a sinfonia de nossos corações batendo harmoniosamente, acelerando o ritmo após cada selar de lábios. Se nossos corações fossem uma melodia, seriam tocados somente por violinos e pianos. Instrumentos solitários que separados, tocam notas melancólicas e depressivas, mas quanto tocados juntos se transformam em deleites aos ouvidos, na mais perfeita música de amor.