quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Amor infinito

Ele dormia serena e profundamente com os braços sobre minha cintura nua. Estávamos ambos presos a um emaranhado de lençóis egípcios. A luz renovada escapava por trás das cortinas. O sol da manhã tivera culpa por ter me acordado tão cedo em uma manhã de domingo, mas o homem ao meu lado, com o corpo enroscado no meu, remanescia no mundo dos sonhos. De certo modo, o mundo dos sonhos eu também parecia estar, tudo era bom demais para ser verdade com ele ao meu lado, me amando novamente em mais um dia.
Adormecido, ele parecia mais afortunado. Eu podia ver claramente no canto de seus pequenos lábios o início de um sorriso. Sua dor e sofrimento tinham desaparecido como pura mágica. E agora, com a luz de um novo dia em sua face posso ver que está tão vulnerável como uma rosa embaixo de uma tempestade.
Podia desejar que esse momento durasse para sempre, como em uma foto, por que seríamos ambos felizes por toda a eternidade. Ele, perdido na alegre fantasia da noite e eu, estaria contente apenas de ter a satisfação o ver finalmente feliz. Mas o “para sempre” é pronunciado com tanta freqüência nos dias de hoje que o infinito não é mais tão imenso assim.
O sol, cada vez mais enfurecido, brilhava mais forte a cada minuto. E como um presente de gregos para troianos, os raios de luz o acordaram.
Aos poucos, seus olhos se abriram, lutando contra a claridade e vacilando um pouco. Quando me viu ao seu lado, o sorriso que havia começado quando ainda dormia finalmente pode florescer em seu rosto. Com uma voz rouca, ele se aproximou a uma distância de milímetros de meu ouvido e sussurrou fazendo os pelos de minha nuca se eriçar.
- Estava sonhando com você.
Selamos nossos lábios com um beijo de bom dia, e instantaneamente senti o gosto de sua boca, meu sabor preferido. Então, sem hesitar, desejei que a eternidade nunca acordasse.