Há algo de errado comigo. Em cada centímetro meu há uma reação diferente quando penso nele. Não é como se eu pudesse, ou quisesse, parar de vê-lo em meus pensamentos – como se eu tivesse escolha.
Minhas mãos tremem ao ouvir seu nome, meus olhos embaçam involuntariamente, um nó em minha garganta cresce a cada segundo arranhando-a enquanto tento fazê-lo desaparecer. Mas o pior, a pior reação – e a mais perigosa – fica em meu coração, que pára de bombear sangue para meus pulmões, me impedindo de respirar; que dói incondicionalmente como se eu fosse me desfazer em pequenos pedaços de caco de vidro barato – em mil pedaços cortantes. Tudo isso, junto, faz com que eu implore para que saia de minha cabeça.
Cansei de ouvir que o tempo retira essas mágoas para longe, que quando vão embora nunca mais voltam. Mas eu começo a me perguntar quando? Por que o tempo está piorando minhas feridas, aumentando o nível de dor em minhas reações. O tempo nunca parou para mim, e nunca vai parar, por que a cada tique taquear do relógio sua voz parece mais distante, seu rosto fica mais parecido com o de um estranho. Não consigo mais lembrar como ele me chamava quando estava irritado, se continuava a me chamar pelo meu apelido carinhoso, ou se chamava meu nome completo.
Então, finalmente compreendo. Por mais doloroso e repugnante que seja, estou o esquecendo – deixando-o para trás, como se nunca tivesse existido, como se fosse um sonho esquecido ao acordar. E as reações - as tão dolorosas emoções - não vão cessar, estou fadada a apenas ser forte e a aprender a viver com elas. Por ele. Por que o tempo não cura, não pára, e esta o levando para longe. Minhas preciosas, e únicas lembranças. A última coisa que ficou comigo dele, além de rostos congelados em fotos é nosso eterno amor.