segunda-feira, 20 de julho de 2009

Desertor

- Estamos livres, finalmente tudo ficará bem. Ninguém pode nos separar, agora. – Ele repetia várias e várias vezes, em voz alta e devagar, quase soletrando, para me convencer. Mas eu tinha certeza que depois da terceira vez, ele estava tentando convencer a si mesmo. Sem progresso, é claro, por que ele parecia que ia continuar assim por muito tempo. Ajeitei-me no banco do carro, e tentei relaxar vendo a chuva bater com força contra o vidro.

O céu estava extremamente escuro, sem nenhum ponto de luz. Naquela noite não havia lua ou estrelas, estava tudo vazio.Certa ironia, diria eu se não fosse algo tão horrível. Afinal, lobisomens deviam se transformar em noites de lua cheia, e nessa noite eu havia decidido que nunca mais me transformaria naquilo.Naquele mostro repugnante que fazia minhas veias turbinarem e meus olhos se transformarem em íris amarelas como o sol.